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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Fim da Linha

Agora é oficial. ACABOU.... acabo de sair da sala de cinema onde fizemos o mix final do som com a versão final do filme. Não foi fácil...o que segue é um resumo de todo o drama que rolou nos últimos 2 dias.

22 de Maio: Online
Chegamos cedo na NFB (eu e Jonas) para nossa sessão de Online que foi feita ao mesmo tempo para os dois filmes e para abertura da Torill.

Basicamente o que fazemos no online é corrigir as cores já que toda nossa edição é feita offline (na sala de avid e final cut). Quando um documentário vai para o online se faz muito mais edição que numa animação.

Eu não sei se entendi bem essa parte mas acho que a grande diferença do online e do offline é a seguinte: Quando editamos offline vemos uma versão preview (com compressão) do filme numa ilha comum (um bom Mac com avid ou final cut já é o bastante). Dai não temos conexão nenhuma com a imagem final mas podemos fazer o 'básico' da edição em tempo real (cortes, movimentos de câmera etc).

Depois de todo esse grosso feito vamos para a ilha online, onde usamos um equipamento super caro (o software principal se chama Symphony) para ver como a imagem final vai se comportar no monitor de tv, numa tela de LCD widescreen etc. A ilha online é tão cara que não podemos usa-la por muito tempo. Temos que marcar hora e usar da melhor forma o tempo que temos... Existe uma fila inacabável de filmes da NFB esperando para passar pelo online (por isso existe a edição offline para o grosso, que é muito mais barata).

O meu problema foi que meu filme tem várias cores e todas elas estavam em movimento, com degrades e chapadas em um mesmo arquivo de vídeo.... Isso significa que para corrigir qualquer problema tínhamos que ir frame a frame e isso não era uma opção viável. A outra opção seria ter elementos separados em diferentes layers.

Por sorte 70% das cores funcionaram bem mas o azul no final ficou verde e sem nenhuma saturação... O que tivemos que fazer então foi re-renderizar algumas coisas separadas do meu projeto de After para poder isolar o fundo azul e corrigir as cores. Isso é muito fácil quando você tem tempo mas estávamos no meio da sessão quando decidimos por essa solução.

O que resultou numa corrida final para ter tudo pronto até as 17:00 quando a fita final tinha que ser gravada. Entre uma e outra correção David (o técnico do Online) fez o filme do Jonas e da Torill.... No fim eu já estava uma pilha de nervos :) Principalmente porque até aquele momento eu havia estado bem tranqüilo quando aos meus prazos e resultados. Eu tinha bastante tempo para corrigir cores ou renderizar elementos separados SE eu soubesse que iríamos precisar disso na última hora. Na verdade eu nem sabia que podíamos fazer isso na sessão de online... Houve uma certa falta de comunicação nesse caso... Tudo porque o Online é algo caro e fechado (quem sabe dos detalhes está trabalhando e quem não sabe não pode ajudar muito).

No fim acabamos conseguindo. Não acho que ficou perfeito meu online mas é o projeto Hot House (fazemos o que podemos).

22 de Maio: Final Mix
No dia seguinte pensei comigo que não teríamos mais nenhum problema mas quando chegamos na sessão descobrimos que a versão final que saiu do online havia sido fechada com 23.98 frames por segundo e não 24 como deveria ter sido.

Pra quem sabe o que significa até faz sentido porque quando você converte de 24 frames por segundo (que é o fps original no qual animamos) para 23.98 fps fica mais fácil para irmos para 29.97 que é a contagem para vídeo (TV, DVD etc) sem perdas.... Entendeu? Nem eu....

O que acontece é que toda essa conversão técnica não casa com a música e acabou que tínhamos que esperar o vídeo com 24fps para finalizarmos o Final Mix. Enquanto isso trabalhamos com a versão do filme que tínhamos que era o meu Picture Lock. Isso foi bem ruim porque essa versão não tinha toda a animação que precisávamos.... Só na última hora de Final Mix é que usamos a versão final do filme.

O filme abaixo além de provavelmente estar fora de sync ainda mostra o vídeo antigo.


Quanto a edição de áudio do Final Mix acho que foi ótima. Esgotamos as possibilidade, testamos diferentes efeitos para os momentos de impacto e acho que fizemos o melhor que podíamos.

Fechamos bem essa parte e agora só vou ver a versão final mesmo na segunda quando nossos filmes vão passar na sala de cinema, com o público (pela primeira vez) e com o mínimo de compressão possível.... Ou melhor, vai ser o dia decisivo para ver a reação que as pessoas vão ter sobre o filme.

Eu sai da sala de cinema (após a sessão de Final Mix) com uma sensação estranha... é engraçado porque sei que algumas pessoas vão odiar, outras vão andar e outras vão gostar... e provavelmente eu mesmo vou acabar odiando o filme daqui a alguns anos. Mas a sensação continua. É uma mistura de saudade antecipada disso tudo + dever cumprido + acho que fiz M. Não sei explicar.

domingo, 13 de maio de 2007

Mais do curso da NFB nos anos 80

Segue o texto enviado por Marcos Magalhães que fala sobre a criação do Curso da NFB nos anos 80. Tomei a liberdade de linkar os assuntos com informações relevantes e curiosidades. Divirtam-se:

O curso de animação do Núcleo de Animação da Embrafilme foi a primeira atividade do CTAv, construído graças ao primeiro acordo com o NFB nos anos 80. Em 1984, eu fui chamado por Carlos Augusto Calil, diretor de operações não-comerciais da Embrafilme e responsável pela aproximação com o Canadá, para organizar o projeto de animação do Centro, junto com o NFB.

Aqui conto uma historia curiosa:

Alguns anos antes, em 1981, eu morria de vontade de ir ao Canadá conhecer meu grande ídolo (e de quase todos os animadores da época e de hoje) Norman McLaren. Havia a chance de conseguir bolsas, pelo consulado e pela própria Embrafilme.

Neste ano veio ao Brasil um animador canadense (Jean-Thomas Bedard) para falar sobre o NFB na Cinemateca do MAM. Foi como um "papo animado" (do Anima Mundi) em que ele mostrou seus filmes ("Age de Chaise" era o mais famoso, por ter sido recentemente premiado em festivais) e falou do trabalho no NFB. No final, formou-se aquela clássica fila do gargarejo, com todos querendo falar e perguntar coisas ao convidado.

Eu era muito tímido e não quis insistir. Preferi sair e ir deixar minha namorada em casa. Ao descer no ônibus no Leme ficamos andando na calçada e eu lamentando a timidez e a oportunidade perdida... de repente, olho para uma pessoa vindo na direção contrária e era... o canadense que acabáramos de ver no MAM! Tremenda coincidência. Ali, foi muito fácil me apresentar e logo fomos tomar chope na Fiorentina e iniciar uma amizade.

Com as dicas do Jean-Thomas, me animei a tentar a ida ao Canadá e acabei conseguindo a bolsa que me fez viver um estágio pouco usual na época no NFB, pioneiro ao próprio Hot-House ( três meses, ampliados depois para cinco, de outubro de 1981 a março de 1982). Foi quando fiz o meu filme ANIMANDO e encontrei o mestre Norman McLaren, que me ajudou muito no filme.

Jean-Thomas confirmou sua amizade, inclusive nos ajudando (a mim e a minha namorada, que já se tornara minha esposa) a encontrar apartamento em Montreal e nos adaptar a esta vida estranha e gelada daí...

Pois bem, quando fui chamado para o trabalho do Núcleo me pediram indicações ou aprovação de nomes de animadores canadenses que estariam querendo vir ao Brasil para um trabalho mais longo, como professores de animação. Entre eles, estava o Jean-Thomas e o Pierre Veilleux, que foram escolhidos em comum acordo.

A próxima etapa era procurar os animadores brasileiros aptos a seguir o curso. Tarefa árdua, pois havia muito poucos no mercado. O medo era de indicações políticas e pistolões que arruinariam o bom projeto do curso. Para evitar isso, propus ao Calil uma excursão pelo Brasil para catar os animadores em suas cidades. Isso aconteceu, em cerca de 15 capitais, onde eu anunciava no principal cinema cultural da cidade o futuro Núcleo, exibia filmes canadenses e brasileiros e convidava animadores presentes a se inscreverem.

Hoje em dia me orgulho bastante desta seleção finalizada em conjunto com os canadenses. Todos os 10 tiveram bastante influência (ou continuam tendo) na formação e multiplicação da arte da animação no Brasil. Isso era o principal objetivo do projeto.

Aqui vale ressaltar um texto relevante sobre a criação do Anima Mundi e o papel que o Núcleo de Animação da NFB teve nessa história. Voltando ao texto do Marcos:

Desta forma, reunimos o Núcleo inicial de 10 alunos de todo o Brasil, a maioria na faixa de 20 e poucos anos:

  • Aida Queiroz - Mineira de Belo Horizonte, aluna da UFMG. Hoje co-diretora do Anima Mundi e da Campo4 Desenhos Animados.
  • Cesar Coelho - Cartunista carioca, formado em Belas Artes na UFRJ. Hoje co-diretor do Anima Mundi e da Campo4 Desenhos Animados.
  • Fábio Lignini - Animador de uma pequena empresa em Belo Horizonte, a "Pirilampo". Fez o curta mais premiado do CTAv, "Quando os Morcegos se Calam", entre outros vencedor do Festival de Hiroshima na categoria "Primeiro Filme". Hoje animador senior da Dreamworks em Los Angeles.
  • Rodrigo Guimarães - Arquiteto e animador gaúcho, hoje diretor da empresa Dr. Smith.
  • Léa Zagury - Designer formada na PUC, carioca. Fez mestrado na Cal Arts, em Los Angeles. Hoje co-diretora do Anima Mundi.
  • Patricia Alves Dias - assistente de cinema, pernambucana de Olinda, hoje produtora da MULTIRIO.
  • Telmo Carvalho - desenhista gaúcho, então radicado em Vitória, ES. Telmo hoje faz oficinas de animação por todo o Brasil e realizou vários curtas premiados.
  • Cao Hamburger - então animador de filmes super-8 em São Paulo, não pôde concluir o curso pois no meio do mesmo ganhou a verba para fazer o primeiro curta (Frankenstein Punk) de sua hoje gloriosa carreira de cineasta e diretor de TV.
  • José Rodrigues Neto - arquiteto cearense, o mais velho da turma (já estava perto dos 40), foi depois responsável pelo Núcleo de Animação de Fortaleza. Fez o curta esotérico "Evoluz", muito interessante.
  • Daniel Schorr - formado em comunicação na PUC, carioca. Meu ex-sócio na Oficina de Cinema de Animação (em Vila Isabel, no Rio) e na revista universitária de cartuns "Art&Manha". Participou do primeiro grupo que fundou o Anima Mundi. Hoje é um dos diretores brasileiros trabalhando no National Film Board do Canadá.
Depois da primeira fase apenas cinco destes alunos (Aida, Cesar, Patricia, Fábio e Rodrigo) ficaram para a segunda fase quando produzimos o filme coletivo "ALEX", em 1986. Os que sairam continuaram suas carreiras ou iniciaram a regionalização do projeto, levando trucas 16mm para Núcleos Regionais em seus estados.

Marcos Magalhães.

sábado, 12 de maio de 2007

Curso da NFB nos anos 80


Foto1 - Jean-Thomas Bedard.


Foto2 - Aida Queiroz.


Foto3 - Jose Rodrigues Neto.


Foto4 - Daniel apresentando as suas primeiras idéias de projeto final do curso para os professores e turma.
Na primeira mesa: Rodrigo Guimarães.
Na segunda, de costas: Aída Queiroz e Cesar Coelho. Lea Zagury escrevendo.
Na esquerda: os três professores - Jean-Thomas Bedard, Marcos Magalhaes (escondido atrás do Jean) e Pierre Veilleux.
Na terceira mesa: Fábio Lignini, Patricia Alves Dias, Cao Hamburger e Telmo Carvalho.


Foto5 - César Coelho.


Foto6 - Rodrigo Guimarães.


Foto7 - Marcos Magalhães e Patricia Alves Dias.
Detalhe do livro: "O que é BUROCRACIA" - Marcos procura entender a Embrafilmes e a National Film Board.


Foto8 - As obras no recém ocupado CTAv para construção dos estúdios de som. O prédio antigamente pertencia à Merenda Escolar, lá eram feitas as refeições para as escolas publicas do Rio de Janeiro. Ao ser transformado em centro de produção de filmes tudo foi reformulado (com projeto brasileiro e equipamentos canadenses). O Núcleo de Animação foi o primeiro a funcionar
e os primeiros filmes foram feitos em meio a poeira e barulho de obras. Quem já trabalhou com acetato, pode imaginar como é difícil lidar com poeira.


Foto9 - Um dos técnicos de cinema formados em estagio no NFB na época ajudando Pierre Veilleux a descarregar uma das 4 trucas 16mm portateis trazidas para o projeto e
depois distribuídas a varias cidades no Brasil.


Foto10 - Em algum restaurante de Vila Isabel ou São Cristovão (lugares mais habitáveis perto do CTAv).

Da esq p/ dir: Rodirgo Guimarães, José Rodrigues Neto, o garçon, Patricia Alves Dias (de costas), Sida, Jean-Thomas Bedard e Pierre Veilleux.


Foto11 - No refeitório do CTAv.

Da esq. p/ dir: Rodrigo Guimarães (RS) , José Rodrigues Neto (CE), César Coelho (RJ), Daniel Schorr (RJ), Telmo Carvalho (ES - escondido), Fabio Lignini (MG), Patricia Alves Dias (PE),
Lea Zagury (RJ).


Foto12 - Pierre e Aida Queiroz (MG).


Foto13 - Daniel Schorr (primeiro plano), Pierre e Aida Queiroz (fundo).


Foto14 - Fábio Lignini e Rodrigo Guimarães.


Foto15 - César Coelho e Rodrigo Guimarães.


Foto16 - Léa Zagury e Daniel Schorr.


Foto17 - Ainda sem descrição.


Foto18 - César Coelho, Fábio Lignini, Rodrigo Guimarães, Patricia Alves
Dias (de costas), Daniel Schorr e Telmo Carvalho (de costas).


Foto19 - Telmo Carvalho, José Rodrigues Neto e Fábio Lignini.


Foto20 - Fábio Lignini.


Foto21 - Daniel Schorr experimentando muletas para o exercício de animação
caminhadas, orientado por Jean-Thomas Bédard. Ao fundo: Lucia Mello,
assistente de produção do Núcleo, e Telmo Carvalho.


Foto22 - Léa Zagury, Pierre Veilleux e César Coelho.


Foto23 - A primeira turma do Núcleo (1985) trabalhando com animação sobre a
película.

Na mesa da frente: Patricia Alves Dias (de costas).
Do outro lado: Rodrigo Guimarães e Aida Queiroz.
Na segunda mesa: César Coelho (de costas), Cao Hamburger e Lea Zagury.
Ao fundo:José Rodrigues Neto.


Foto24 - Rodrigo Guimarães na truca 16mm.


Foto25 - Léa Zagury na truca.


Foto26 - Daniel Schorr na truca.


Foto27 - Fábio Lignini.


Foto28 - Jean-Thomas Bedard e Telmo Carvalho filmando o filme do Telmo ("O
Musico e o Cavalo") na truca 16mm.


Foto29 - Pierre (camisa listrada ao fundo), Daniel (camisa azul) e técnicos de som do NFB.


Foto30 - Fábio Lignini, de Belo Horizonte, hoje um dos animadores senior dos estúdios Dreamworks.


Foto31 - Rodrigo Guimarães, de Porto Alegre, hoje em dia à frente do estúdio Dr. Smith.


Foto32 - Pierre e Tim Rescala que foi o autor da brilhante trilha sonora (quase sinfônica) do desenho animado "ALEX" produzido coletivamente no segundo ano do Núcleo de Animação do CTAv. Este filme merece uma restauração..


Foto33 - Pierre Veilleux.

Agradecimentos:
Obrigado a Pierre Veilleux e ao Daniel Schorr por terem tido o trabalho de separar e scannear as imagens. Sem esse esforço inicial o álbum não seria possível.

Obrigado ao Marcos Magalhães por ter feitos um comentário extensivo para todas as imagens.

Obrigado a todos que comentaram e ajudaram a tornar o álbum o mais preciso possível.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Madame Tutli-Putli

Madame Tutli-Putli é o próximo filme de animação que a NFB vai estar lançando esse ano (no festival Annecy em junho). Nós vimos o filme aqui e é muito bom. Digo, a técnica de animação foi uma das coisas mais emocionantes que eu já vi, está em outro nível, de verdade... Chuta a bunda de 99% dos filmes de 3D por ai.

Eles misturaram stopmotion com olhos reais recortados e colados digitalmente nos personagens. Mesmo vendo o making of eu não tenho a menor idéia de como isso foi feito com tanta precisão. O resultado é muito bom. Só vendo para saber... Se esse filme aparecer por ai no Animamundi desse ano não percam.

No site da NFB além de poder ver o Trailler e o Making of você pode baixar papeis de parede como esse acima.

Um dos diretores do filme já apareceu por aqui na sala do Hot House. Jason Lee que está fazendo o Making of do Hot House trabalhou no filme e veio me dizer isso agora mesmo enquanto eu escrevia esse post.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Workshop de Som

Luigi nos levou até o estúdio de som número 2 aonde vamos fazer todos os sons para nossos filmes.

A primeira sala que visitamos é a principal, onde são gravados a maioria dos passos e coisas que são mais genéricas ou que precisam de espaço para performance.

Essa sala principal tem uma divisão que cria uma pequena sala ao lado onde são feitos os sons mais específicos. Coisas que precisam de mais detalhes e textura. Eles colocaram peças no teto para reduzir o eco e o som do ambiente, então a sala anexa tem um som completamente diferente da sala principal, ouvimos um som bem mais fechado, seco e limpo.

A outra sala (que é mais como um armário grande) tem um monte de tranqueiras sonoras. De porta de carros a corrente de navio.

Atrás do vidro na sala principal temos o estúdio de som onde fica a mesa etc. Nenhum som vaza dessa sala para o estúdio, então falamos o tempo todo através de microfones com quem está dentro gravando.

Logo que chegamos tivemos uma boa introdução sobre Foley para animação e sobre as diferenças entre animação, documentário e ficção para os artistas de som.

Em documentário o som é gravado na hora, então basicamente eles só corrigem algumas coisas que estejam lá e que não tenham sido capturadas. Na ficção eles quase que refazem todo o som e com os sons limpos e separados o diretor pode controlar em que caixa cada som vai (para sistemas 5.1 de som etc).

Em animação funciona como ficção, só que ao invés do som precisar ser realista ele na verdade precisa se encaixar com a imagem, mesmo que não venha de uma fonte real.

Eles nos aconselharam sobre como o filme de animação se torna algo palpável logo que aplicamos o som. Como o Foley perfeito é aquele que você não percebe no filme. E como fazer sons mais complexos se configuram em um tipo de macete para tornar a coisa toda mais interessante para o público ao invés de só usarmos a "andando_de_sapato_364.wav" da biblioteca de som.

Também nos deram algumas dicas sobre como dirigir os artistas/técnicos de som. De como não vale a pena ficarmos aprendendo os termos técnicos como: "Me dê mais 3 decibéis!" etc. Que é muito melhor falarmos o que queremos em termos de história e emoção. Que devemos ficar atentos sobre como contar a história através do som. Assim podemos pedir que uma caminhada fique mais triste, mais arrastada etc.

Outra dica de direção é que existem diretores que param a gravação a todo momento para dar dicas e mudar coisas e outros que deixam a sessão acabar e fazem uma lista de modificações para próxima sessão. É importante manter em mente o tempo que você tem para usar o estúdio porque de outra forma você não vai conseguir gravar tudo que você precisa e vai acabar usando um monte de sons de bibliotecas (o que não é necessariamente ruim mas nem sempre é o ideal).

Sobre os sons de biblioteca: Muitos sons não são gravados mais hoje em dia porque já existem milhões de sons daquele tipo nas bibliotecas, como portas abrindo por exemplo.

Depois passamos para a parte divertida, fizemos sons para os filmes da Jody, James e Jonas (os trio JJJ). Luigi, James e eu fomos os preferidos da galera, dei vários arrotos para o filme da Jody mas o James conseguiu umas notas bem mais extensas do Juri na mesa de som. No fim ele foi contratado como porco oficial no meu lugar.

Fizemos também uma sessão coletiva onde todos conversavam randomicamente para o filme do James que tem uma festa no final. Fizemos em 3 níveis (conversando baixo, médio e gritando) e 2 vezes para cada nível.

Também fiz algumas vozes em português para as conversações no filme do james. Eles acham que tudo que agente fala em português é legal...Provavelmente porque eles não entendem. Sei bem o que é isso, quando a Maya fala em Turco também acho muito legal.

No fim bati mais um papo com Luigi sobre minha música, basicamente pedindo para ele ir mais longe com o experimental, pirar o cabeção mesmo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Festa no John Weldon

Amanhã a noite, a partir das 4 da tarde, começa a grande festa anual do John Weldon. John Weldon é um animador das antigas aqui da NFB. Ganhou um oscar de melhor curta de animação pelo seu filme Special Delivery, em 1978.

Segundo todos dizem por aqui, a festa anual do John Weldon é o maior evento da animação no Canadá. Churrasquinho e cervejinha, com todos os animadores do Canadá, e de outros lugares do mundo. Rumores dizem até que Michel Ocelot estará lá. :)

Ou seja, pra quebrar essa neve que está caindo, cerveja gelada, linguiça na brasa, animadores bêbados, coisa e tal.

Conhecemos a Sandee

Sandee: Stereo Animation Drawing Device.

É uma forma de desenhar e mostrar animações em 3 dimensões. Eles usam dois projetores, cada um com um filtro stereoscópico na frente da lente. O filtro stereoscópico funciona permitindo que a onda de luz só passe em uma direção, bloqueando todas as outras direções de ondas que saem das lentes dos projetores. Cada projetor então passa a mostrar apenas uma direção de onda. Um projetor mostra a imagem que deve ser vista pelo olho esquerdo e a outra mostra a que deve ser vista pelo olho direito, cada uma com uma direção de onda de luz específica.

Dai nós usamos óculos stereoscópicos que também bloqueiam a passagem das ondas. Assim o olho direto só vê a onda que o projetor 'direito' está mostrando e o mesmo acontece para o esquerdo.

Não é tão fácil montar uma sala de projeção (para pessoas normais). É necessário uma tela de prata, projetores de alta qualidade e o software que toca os dois vídeos ao mesmo tempo (além das películas stereoscópicas e dos óculos), mas também não é tão caro assim (para empresas é uma pechincha). É mais barato que alguns sistemas de home teather aqui do Canadá. E cada óculos custa apenas 1 dollar canadense. Bem mais baratos do que a outra tecnologia usada para imagens 3d que tem óculos eletrônicos.

É possível preparar animações feitas em qualquer software 3D para a Sandee (renderizando tudo com duas câmeras). Assim como também é possível gravar vídeos live action ou stopmotion com duas câmeras. Os únicos que ficam de fora são os animadores 2D, esses tem mesmo que desenhar no equipamento da Sandee.

O software no qual se desenha o 2D no espaço renderiza a animação tridimensionalmente em tempo real. Ele também tem interpolação automática e captura de movimentos. Desenhamos com pistolas virtuais, que parecem aqueles controles comuns de autorama. Cada pistola tem um reconhecimento espacial (como um controle de Wii) e um gatilho para gravar a pressão do traço.

Eu dei várias espiadas com e sem os óculos 3D para tentar compreender como o efeito funciona na prática e o que me pareceu é que, quanto mais próximas as imagens dos projetores aparecerem na tela, mais nítida a imagem 3D fica para nós e assim eles representam o que está em primeiro plano ou no foco da visão. Uma animação que tenha que estar distante então, acontecendo no último plano, além de aparecer menor na tela e por trás de tudo, vai também ter imagens mais separadas sendo mostradas pelos dois projetores. Ai é que está a dificuldade do efeito tridimensional e a impossibilidade de converter um filme originalmente feito em 2D para exibição stereoscópica.... Muito técnico né!? Mas não é tão difícil de entender com imagens.

Abaixo você pode ver alguns links para filmes feitos no sistema da Sandee ou transcritos para o sistema:
Falling in love
Moon Man
June

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Papo interessante com Paul Driessen

Hoje no almoço batemos um papo com Paul Driessen. Nossa, como ele tem história para contar.

Primeiro ele já produziu tantos filmes que já perdeu a conta. Na sua maioria foram curtas de arte. Ele só trabalhou em dois longas. Um foi temporário, só por alguns meses e o outro foi simplesmente o Yellow Submarine dos Beatles no qual ele trabalhou por 11 meses.

A história do Yellow Submarine é que os Beatles tinham um contrato de 3 filmes para fazer com uma grande distribuidora. Eles fizeram Help e A Hard Days Night. Mas, no último filme eles queriam ir para Índia e não estavam muito a fim de ficar para as gravações. O produtor resolveu dar uma folga para os garotos e disse:'Na verdade só precisamos das suas músicas'. Dai surgiu toda a idéia do filme em animação.

Paul chega a mencionar que ele mesmo não acha o Yellow Submarine um ótimo filme. São apenas boas idéias conectadas pelas músicas. A arte é ótimas mas.... Ele diz que o roteiro foi feito em uma noite. Depois ele foi refinado mas é bem próximo do que foi concebido na primeira tentativa.

Outra curiosidade é que naquela época eles não tinham deadline. Eles animavam no tempo em que as idéias surgiam. Muitos problemas aconteceram durante a produção do filme, muitas histórias e tal mas ele disse que os animadores não sabiam de nada, eles só entregavam a animação. Numa retrospectiva em Los Angeles todos perguntavam muito sobre todos esses segredos e Paul teve que ler um livro para ficar por dentro :)

Ele começou a animar na Holanda um pouco antes do Yellow Submarine fazendo comerciais para TV. Segundo ele naquela época o próprio animador tinha a idéia para o comercial e normalmente era aprovada na hora. Você basicamente fazia o que queria!

O diretor do Yellow Submarine foi treinado na NFB, com Normam Mclaren etc. Ele apresentou a Paul as produções da NFB que ficou bastante impressionado. A partir dai ele passou a se esforçar para vir para o Canadá e trabalhar aqui etc.

Apesar de tudo Paul nunca quis ser um diretor da equipe da NFB, sempre preferiu ficar como freelancer e separar suas produções entre a Holanda e o Canadá.

Abaixo você pode ver o filme The Killing of an Egg.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Paul Driessen está entre nós!


Acabei de me dar conta que um senhor barbudo e de cabelos brancos que sempre almoça com a gente e, inclusive esta manhã eu lhe cedi a minha cadeira e lugar na mesa para ele comer, é o Paul Driessen. Cara, esse lugar é fenomenal!!!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Na bilbioteca da NFB - Parte 01

Quem de alguma forma possui um vínculo com a NFB tem acesso à biblioteca e videoteca da instituição. É possível emprestar quantos livros você quiser por duas semanas, e quantos filmes você quiser, por uma semana, tudo gratuitamente. Geralmente, os filmes estão em VHS, mas é possível encontrar uma coisa ou outra em DVD. Vale lembrar que os filmes são todos produções da NFB, então se você quiser assistir a um filme do Bruce Willis, procure em outro lugar!

A biblioteca é um lugar pequeno, mas muito generoso. Como é muito difícil encontrar livros de animação em qualquer lugar do mundo, a pequena estante do gênero pode parecer encantadora. Há muitos títulos em francês interessantíssimos. Livros de teoria, dissertações de mestrado. Pena que eu não consigo entender muito da lingua ainda. Mas muitos dos títulos disponíveis estão em inglês, e tem muita coisa bacana.

Um dos livros que eu peguei, e que eu acho muito legal, é o "Unsung Heroes of Animation", de Chris Robinson. O livro é uma coletânea de textos sobre 25 animadores independentes, como Ryan Larkin, Igor Kovalyov e Koji Yamamura. Cada capítulo aborda um diretor específico, e em poucas páginas são traçadas suas biografias, retrospectiva de suas carreiras, e comentários acerca de alguns filmes específicos, ilustrado com still dos filmes e às vezes fotos dos diretores. É um dos poucos livros de animação que fogem do perfil técnico e da Bouncing Ball, e é bem legal pra quem quer começar a conhecer esses senhores gentis da animação.

O mais legal da biblioteca é que vira e mexe você retira um livro e vê na fichinha de locação dos livros vários nomes conhecidos. Esse livro, por exemplo, tinha sido pego pela Wendy Tilby. Um outro livro, pelo Paul Driessen. Isso é muito bacana. É muito legal imaginar que todas as pessoas que acabaram me transformando e me incentivando, indiretamente, a fazer animação, passaram por aqui, e tiveram acesso a tudo que eu estou tendo.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Come again in spring

Ontem foi um dia bem diferente na NFB. A nossa amiga Belinda Oldford, esposa do animador Brasileiro e nosso padrinho aqui, Daniel Schorr, exibiu em primeira mão o seu filme "Come again in Spring". É um filme muito bonitinho, sobre um velhinho que alimenta os pombos no inverno, e é visitado pela morte. Ele diz que não pode ser levado, porque os pombos precisam dele pra sobreviver, e pede à morte que volte novamente na primavera. A morte, traiçoeira, faz três perguntas para que o velhinho responda. Caso ele não consiga, ele morre naquele momento. O filme de pouco mais de 10 minutos é bem poético, e era inicialmente um projeto do Ishu Patel, um dos grandes nomes que já passaram aqui pela NFB. Ishu Patel acabou se aposentando mais cedo, na época que ele estava começando esse projeto, e a Belinda acabou herdando o projeto.

Foram 6 anos até a exibição de ontem. Belinda tem um estilo de animação arrojado, de desenho tradicional mais realista, o que dá um trabalhão pra fazer, e o filme sofreu sérias mudanças no decorrer da produção. Depois que ela tinha tudo animado, ela começou a colorir tudo em acetato. Mas como o estilo dela é um estilo bem difícil de se animar, as cores não ficaram pra trás. Ela quis um efeito meio aquarelado, com várias manchas, o que fez com que as cores também fossem animadas. E isso estava levando muito tempo, então os produtores exigiram que ela fizesse no computador. Acabou sendo uma confusão juntar o que já estava pronto em acetado, e simular as mesmas cores e efeitos no Painter, sendo que ela nem sabia usar o software direito. Acabou que com tudo isso, depois de seis anos, ela estava muito contente em poder finalmente exibir o trabalho finalizado. Bacana! Fiquei muito feliz por ela, e durante a exibição, conforme as pessoas iam chegando, eu fui ficando nervoso também.

Todo filme feito aqui tem a tradição de passar por isso. Logo após a mixagem final, os diretores e produtores promovem o que eles chamam de Playback, que seria uma primeira exibição do filme, pra ver como o filme é recebido, e repassar e ver se está tudo ok. E os playbacks são grandes eventos. As pessoas saem de seus escritórios e vão andando em direção ao teatro, e no caminho vão gritando "Playbaaack!!", batendo nas portas que estiverem fechadas, e as pessoas param o que estiverem fazendo para irem assistir. Eu acho que nós vamos ter algo assim por aqui. Dá um nervoso que só... :)

quinta-feira, 22 de março de 2007

Site Oficial do Hot House 4

Está no ar agora o novo site oficial do Hot House 4. Clique no link Podcast para ver os animadores falando sobre seus projetos.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Hot House Family

Tá bom, agora chega de baboseiras sobre o Canadá. Vamos falar um pouco sobre o NFB.

A galera que está participando do Hot House é muito legal. Apesar do nosso inglês limitado acho que estão nos recebendo muito bem.

Maya:
É Turca naturalizada canadense (casou com um canadense mas já se separou). Muito gente boa. Já aprendeu até alguns palavrões em português. Ela entende alguma coisa do que agente fala porque já teve um namorado latino e algumas coisas tem som parecido.

O filme dela é sobre nuvens. As nuvens em cima das cabeças dos personagens ficam negras com maus pensamentos. A técnica é bem legal. Mistura recortes de papel, stopmotion, after effects etc. Os personagens de recortes de papel estão bem legais, ela fica com eles pendurados num quadro de cortiça atrás de mim.

Jody:
Toca um tipo de guitarra havaiana, daquelas de colo. Acho que hoje vamos ver um saral de Bluegrass music onde ela vai se apresentar. Jody é bem tímida e introspectiva. Acho que é a mais velha dos 8 do Hot House.

O filme dela é sobre 2 monstrinhos que tocam jazz. A técnica é animação tradicional, no papel mesmo.

James:
É o mais engraçado da galera. Um humor inglês/canadense bem sutil. Cheio de "absolutely" e "Totally". Saca algumas piadas rapidamente. Gosta de Mutantes e vai mandar seu filme pro Animamundi desse ano.

Seu filme também é com animação tradicional. Os 'encontros' vão acontecendo cada vez em um nível menor (com zoom in até chegarmos em um nível microscópico). Os personagens vão apertando as mãos, se cumprimentando, até vermos 2 DNAs dançando em uma festa. Não sei se eu expliquei bem mas vai ser bem engraçado.

Oliver:
É o mais caladão de todos. Também pudera, ele está com uma dor de dente terrível. Se bem que acho que mesmo sem a dor ele ia continuar sendo o mais caladão de todos. Acho que ele é canadense com descendência oriental, algo bem comum em Montreal.

O filme dele é sobre respeito a personalidade de cada um. Acho que ele deve ter tido alguns problemas com a dele e com o fato dele ser caladão. O filme vai ser feito todo em flash com rotoscopia de vídeo.

Carla:
É a mais doida de todos. Se veste toda com bichinhos pendurados, coisas rosas peludas, casaco de pelo quadriculado etc. Ela é uma multi-artista, já trabalhou com várias coisas: de taxidermista a palhaço de festa. A primeira impressão é impactante mas no fundo ela tem um coração fofo.

O filme dela é em stopmotion com um estilo meio Tim Burton só que com insetos de verdade. Um estilo bem forte.

Dale:
Acho que o Dayle deve ser o mais experiente dos Hot Houser's. Ele fez faculdade de animação aqui no Canadá (Não lembro qual agora) e trabalhava em um estúdio em Toronto antes de vir para o Hot House. Ele acabou explicando o Frame Thief (Programa que o pessoal do Stopmotion está usando aqui) pra gente porque ele sabia mais que o pessoal daqui. Joga capoeira e toca berimbau. Esteve no Brasil no natal de 2006, em Salvador.

O filme dele é o mais legal de todos. É um stopmotion + arte digital experimental. Ele vai capturar borrões de tinta no Frame Thief e depois vai desenhar criaturas em cima dos borrões. As cores vão se misturando e formando criaturas mais e mais complexas. Muuuuuito foda.

Bom, esses são os animadores que como nós estão fazendo os filmes do Hot House. Além deles temos a equipe de profissionais e animadores daqui da NFB mesmo, que ajudam a gente a resolver os problemas:

Maral:
Canadense + Árabe, o que também é muito comum aqui em Montreal. Ela não é animadora na verdade. Ela estuda história do cinema eu acho, mas durante muito tempo trabalhou na frente do festival de Ottawa. Só recentemente ela veio para o NFB. No momento ela é a responsável por gerenciar o Hot House.

Torill:
É a diretora do NFB que acabou de ganhar o Oscar. Ela é um doce. Muito tranqüila. Ela e a Maral tem me ajudado bastante com a idéia do filme. Ainda não vi o filme dela mas acho que eles vão mostrar pra gente aqui mais cedo ou mais tarde.

Randall:
Ele parece um pouco com o ator que faz o Gandalf no Senhor dos Anéis, então seu apelido é Randalf. É a pessoa da parte técnica mais próxima de nós. Qualquer dúvida sobre softwares de animação e problemas no computador é com ele, apesar dele ter feito faculdade de Artes (o que o deixa meio chateado). É como no Brasil, empresa estatal, segurança etc. Dai ele acaba ficando por aqui mesmo. Randall adora colocar coisas engraçadas penduradas pelas paredes do estúdio ou coladas em livros (Como a foto dele próprio assoprando a vela do seu bolo de aniverssário de 13 anos).

Tem bem mais gente, depois eu vou falando de cada um.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Muito tempo sem postar

A gente ainda está meio enrolado aqui, como o Jonas já explicou. Até ontem eu não tinha dormido direito e nem tido tempo para fazer um post sequer. Inclusive esse post está sendo feito as pressas porque estamos deixando um hotel para ir pra outro e já estamos meio atrasados para chegar no NFB.

Algumas coisas importantes:

O NFB é enorme, o maior lugar de produção de cinema que eu já vi na vida. Muito fácil se perder lá dentro. Mesmo as pessoas que trabalham lá não conhecem bem tudo. Numa das salas de arquivo tem mais de 150.000 entradas, sendo que muitas são rolos inteiros de negativo... Imagina quanto material isso dá!?

As cameras Oxberry são fantásticas. Uma pena que apenas poucos animadores 'das antigas' as usem. Existe uma enorme, controlada por computador mas que parece estar com os dias contados. É mesmo incrível e uma pena ao mesmo tempo.

Além de toda a aparelhagem de edição, captura, estúdios de gravação e produção a NFB também tem áreas administrativas enormes. Só a parte de correio parece uma agência grande de correios ai do Brasil.

Bom, temos que sair.... mais no próximo post.

Dia 06-03

Hoje foi um dia cheio de coisas. Tanto eu quanto o Diego tivemos uma reunião com Maral e Torill para falarmos sobre nossos projetos. Temos que entregar um storyboard na quinta e explicar para todos, inclusive os outros participantes do Hothouse, em linhas gerais o desenvolvimento de nossos filmes. Foi bem legal, tanto a Torill quanto a Maral são muito atenciosas e orientam muito bem. Recebi uma série de ótimas críticas e sugestões, que devem acrescentar bastante ao meu trabalho nesta fase. Ainda tenho muitas dúvidas sobre uma série de coisas a trabalhar no projeto. Mas confesso que estou mais aliviado por conseguir fechar o modo de realização do filme. Muitas pessoas vão trabalhar com after, stop motion, pixilation, animação 2d tradicional na velha mesa de luz. O Diego, inclusive, em Flash. Originalmente, eu pensava em fazer a animação do modo tradicional. Mas estava muito inseguro, por não ter tanta experiência assim com animação e, sobretudo, por não ter feito muitas coisas deste modo. Eu estou acostumado a animar com o Toon Boom Solo, de que sou usuário há uns 8 meses. E o NFB não tem licensas do Toon Boom Solo. Hoje eu e o Diego fomos visitar a Toon Boom, cuja sede fica ao Norte de Montreal, num bairro mais industrial.

O prédio é bem bacana, um estilo mais romântico-antigo. Há um monte de cartazes pendurados na parede, e é menor do que eu imaginava. O Sergio de La Cruz, vendedor responsável pelo Brasil, nos recebeu com a maior gentileza, e me cedeu uma licensa temporária do Toon Boom Solo, assim como ele havia feito para o meu projeto de conclusão de curso na faculdade, Um Lugar Comum. Então, de agora em diante, estarei fazendo tudo no software, o que deve simplificar muito as coisas pra mim. Espero que, uma vez com o conteúdo fechado, que deve assim estar até quinta da semana que vem, conforme nosso cronograma, não levarei muuuuito tempo pra animar. Tirei um peso das costas.

O Sergio é um cara bem legal. Ele irá agendar uma visita para a gente conhecer alguns estúdios de Montreal e Ottawa. Um deles é o Mercury Filmworks, que é bem grandinho. Vamos conhecer como funcionam as produções de desenho animado para séries em estúdios no Canadá, o que parece ser muito interessante. A Toon Boom é uma empresa bem legal e é bem acessível à parcerias. O pessoal no Brasil que tem interesse em aprender a usar seus softwares, experimentar, comprar, ou tentar qualquer tipo de parceria, deveria tentar. Alguns amigos meus da Universidade Federal de São Carlos acabam de ganhar licensas temporárias do Toon Boom Solo e Storyboard para fazer seu filme de conclusão de curso, Hugo. Vai ser bem bacana.

terça-feira, 6 de março de 2007

Primeiro dia na National Film Board

Ontem pela primeira vez cruzamos as portas do National Film Board. O predio eh gigantesco, e nohs nos perdemos. Ha milhares de corredores, e todos eles tem nome, pras pessoas se localizarem, como Av. Norman Mclaren ou Lotte Reiniger Street. Alem disso, as paredes estao cobertas de cartazes, fotos, posters, fotos do Norman Mclaren, bonecos de resina, e todas essas coisas legais, alem de vez ou outra algumas estatuetas do Oscar ou Annecy, espalhadas por ai, entao mesmo se perdendo por aqui pode ser bacana, porque tem muita coisa pra olhar. As pessoas sao muito receptivas, e eh possivel voce bater, entrar na salinha, e ver o que a pessoa esta fazendo. Espero conhecer muitos trabalhos e pessoas por aqui.

Tivemos nossa primeira reuniao, onde pudemos conhecer todos os envolvidos no Hothouse, alem de todos os participantes. Ha somente 3 estrangeiros aqui: Eu, Diego e Maya, uma Turca radicada no Canada. Ela se considera uma canadense turca. Somos ao todo 8 participantes, e trabalhamos todos na mesma sala. Eu ganhei um computador com dois monitores, uma tablet gigante e uma mesa de luz, alem de um telefone que fica na minha escrivaninha.

Esta quinta teremos que apresentar um storyboard, com o filme mais ou menos definido. Ainda nao comecei, mas estou trabalhando no roteiro, e devo ter tudo pronto pra quinta em breve.

Aqui em Montreal encontramos uma pessoa maravilhosa, que tem sido nosso padrinho desde antes de chegarmos aqui, o animador Daniel Shorr. Ele fez alguns filmes na NFB (Seu ultimo filme, Dominoes, estreiou ha pouco tempo). Ele nos emprestou varias roupas, nos levou pra conhecer a cidade, e esta nos ajudando a encontrar um apartamento melhor e mais barato. Ele e sua esposa, Belinda, tambem animadora do NFB, nos ofereceram sua casa provisoriamente, ate nos arrumarmos alguma coisa.

Em breve, voltaremos a falar mais sobre aqui. Sao tantas coisas, mais do que podemos escrever. (me desculpem os acentos, meu teclado esta configurado para a lingua inglesa, e ainda nao consegui mudar isso)