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sábado, 21 de julho de 2007

Workshop Martine Chartrand no Rio

Finalmente vídeos do Workshop de Pintura no Vidro no Rio com Martine Chartrand.

Primeiramente eu gostaria de pedir desculpas a todos que participaram do workshop. Eu acabei fazendo a tradução e sei que essa não é minha profissão...Uma coisa é falar e outra é traduzir...Também vacilei a bessa na hora de traduzir os nomes dos materiais e ferramentas de pintura tradicional....Raios, preciso treinar mais isso.

Mas acho que valeu a pena na hora de explicar a técnica de animação. Eu já havia visto a Martine trabalhando ao vivo, o que ajudou bastante.

No vídeo abaixo um pouco da galera trabalhando.


A aula foi inspiradora. Martine trabalhou com Alexander Petrov, seu mestre e o maior expoente da técnica de pintura no vidro do mundo. Acho que todos já conhecem o Velho e o Mar, uma obra prima da animação, mas por via das dúvidas aqui vai um trechinho.


Nesse a galera discutindo para ver quem são os próximos a encher a cara de tinta.


Martine frisou bastante que deveríamos usar a técnica para transferir nossos sentimentos para tela: Do coração, para as mãos e para tela. Que deveríamos animar com o coração e que devemos colocar nós em nossos filmes.

Sobre as técnicas de pintura ela avisa: "Não tente pintar como Petrov, pinte no seu estilo, afinal é o seu filme". A grande vantagem de se usar pintura no vidro é que, de uma forma geral, qualquer estilo de pintura pode ser usado (e isso já é o bastante para que não tenhamos que copiar ninguém).

Martine mostrou alguns filmes muito bons de pintura no vidro. Inclusive o famoso The Street de Caroline Leaf.

Ela também insistiu para que colocássemos o curtinha em festivais como Animação em Curso. Acho que a Cláudia lá do N.A.D.A. da Puc tá dando um jeitinho para finalizar isso.

Ela também deu um Workshop em São Paulo e outro em Salvador. Assim que ela me mandar as fotos destes eu coloco aqui no site!

sábado, 19 de maio de 2007

The Bill Plympton Show!

Antes de ontem fomos à Cinemateca de Quebec para assistir ao Workshop do Bill Plympton.

O cara é muito engraçado. Faz bem o tipão Cartunista Americano, sacando piadas de humor negro a torto e a direita. Não esconde que a sua intenção é viver fazendo o que gosta: Filmes de animação que fazem as pessoas rirem e o fazem viajar pelo mundo inteiro ganhando algum dinheiro.

O próprio workshop é parte dessa "estratégia de sobrevivência do animador independente"... Ele sai por ai dando o que ele chama de "The Bill Plympton Show" que é como se fosse uma comédia de palco (ou Stand Up Comedy como eles chamam por aqui). E a coisa parece ser bem ensaiada, ele conta as mesmas piadas e técnicas em todos os lugares... como podemos ver nos vídeos da UCLA e da Creanimax.

Ele começou falando bastante dos macetes e regras que ele usa para seus filmes. O primeiro ele chamou de Dogma para fazer curtas de animação de sucesso.
Dogma para fazer curtas de animação de sucesso:

  1. Curto: Isso significa algo entre 3 e 7 minutos. Filmes curtos não deixam a platéia de saco cheio, são mais fáceis de tapar buracos de programação para os compradores (brodcasters) e ficam prontos mais rápido. O curta acaba sendo o preferido de outros tipos de compradores também... como por exemplo a sociedade de câncer do pulmão que comprou o curta 25 maneiras de parar de fumar. O Filme é o mais bem sucedido comercialmente e dá dinheiro até hoje.

  2. Barato: Não contratar uma equipe gigante, não fazer um estilo impossível, não gastar dinheiro com efeitos especiais, não usar talentos de voz super conhecidos, não desenhar todos os quadros da animação (full animation ou by1).... em outras palavras: Manter simples e direto ao ponto. Ele diz que os filmes dele ficam com custo em torno de $1.000,00 (dolares americanos) por minutos e que mais de $5.000,00 por minuto fica difícil de dar lucro.

  3. Engraçado: "Quando as pessoas vêem um filme de animação elas esperam rir!"...Bill acha que rir tem um efeito medicinal e que é muito mais fácil um filme ser bem sucedido de for engraçado do que se for "chato".
Conclusão: O filme perfeito pra ele é "Bambi versus Godzilla" de Marvin Newland que é bem curto, super barato e muito engraçado. O filme só tem 15 quadros de desenho.


Ele falou bastante dos filmes de Don Hertzfeld também. Super baratos e super engraçados.

Esse vídeo é a abertura do Animation Show (como vocês podem perceber) que está rolando aqui em Montreal. Nós vamos tentar comparecer nas duas semanas que ainda nos restam, fiquem ligados para um post sobre isso.

Por outro lado, depois de ensinar tudo isso ele também diz: "O que eu sei na verdade!? Eu nunca ganhei um Oscar!"... Essa história toda é só o jeito que ele escolheu fazer seus filmes: "O filme Ryan por exemplo! É grande, caro e nem um pouco engraçado e ganhou um Oscar". Na verdade ele diz ainda que nem sabe porque o filme "My Face" foi nomeado, pra ele é uma idéia estúpida sobre a música que deu pra fazer na época com o dinheiro que ele tinha ...e é só isso!

Sinto que a todo momento ele transforma a própria obra em piada. Na verdade o mundo para ele é uma piada. Isso ficou bem claro ao assistir "O Sábio" onde Bill faz pouco da seriedade da filosofia e mostra sua própria filosofia 'escrachada' de vida. Como ele mesmo disse: "Pra mim todo animador deveria ter 8 anos de idade" e muitas vezes parece que ele tem mesmo (ou pelo menos uns 18 :)

Por outro lado ele afirma que sua carreira começou mesmo quando ele foi nomiado ao Oscar e numa segunda parte do Workshop dá uma lista de como mandar seus filmes para festivais que começa com o próprio...

Como mandar seus filmes para os festivais:
  1. Oscar: Mandar primeiro para o Oscar (todos acharam que ele estava brincando e houve uma grande gargalhada na sala)..."Funcionou com o Ryan!" - Disse ele sério... Para mandar você precisa pagar $400,00 (dolares americanos) para um cinema em Los Angeles exibir o filme durante algumas semanas (4 eu acho). Dai você passa a ser elegível para lista do Festival. Qualquer um pode entrar na lista. O Oscar então escolhe dos elegíveis os melhores (o que é chamado de Short List). Dessa Short List eles fazem mais uma seleção de onde saem então os nominados ao Oscar. Parece que no Oscar eles tem até categoria de estudantes e etc... Ou melhor, funciona quase como um festival normal.

  2. Cannes: Todos os compradores estão lá. Ótimo mercado para vender seus filmes.

  3. Sundance: Melhor lugar para curtas independetes.

  4. Annecy: "Se eles gostarem do seu filme vale a pena, vão te tratar como um rei". Ótimo mercado também.

  5. Os outros: Ottawa, Hiroshima, Zagreb, Stuttgart, Clermont Ferrand etc... O Anima Mundi infelizmente não entrou na lista... certamente porque ainda não tem o tipo de "mercado"($$$) que animadores como o Bill procuram.
O Workshop continuou assim. Como ganhar dinheiro e ser bem sucedido... Como ir aonde está o 'negócio' e como fazer seu 'marketing pessoal'...Notas de dinheiro voaram para todos os lados e... Digo, ele não falou de marketing pessoal mas na saída ele fez um desenho para cada pessoa dentro da sala em um cartão postal do seu novo filme. Vendeu livros e DVDs baratos e deu autógrafos em todos.
Outra dica que ele deu foi como tirar o máximo de grana dos seus filmes:
  1. Cinemas: Vender seus filmes para shows, compilações e exibições em cinemas (após ter colocado em todos os festivais possíveis, é claro). Um dos que pagam melhor é o Animation Show (já citado acima)... Ele disse que conseguiu $5.000,00 por "Guide Dog", o que já pagou praticamente toda a produção do filme.

  2. Exibições privadas (fora dos cinemas): Escolas, livrarias, corporações, linhas aéreas, hospitais, associações etc... Como os filmes dele sempre tem um teor "educativo" vale a pena explorar bem esse tipo de mercado.

  3. TV: Depois de fazer todas as exibições privadas possíveis vamos para os broadcasters (o que quer dizer que agora você está a um passo de perder o seu filme já que fica mais fácil de copiar em casa). Para as TVs do mundo inteiro ele faz contratos de 2 anos não exclusivos. O que quer dizer que ele pode vender para duas TVs no mesmo território. Pelo que eu entendo quer dizer que você vai cobrar menos para exibirem o filme mas em compensação você evita a famosa geladeira ou coisa parecida... O que quer dizer que o canal de TV não pode vetar seu filme se eles quiserem.

  4. DVD: Singles, Compilações e Especiais. Os singles são os DVDs que possuem apenas um curta (o que pra mim não é muito justo mas acho que o Bill não vende muitos singles).

    As compilações são um conjunto de curtas em um só DVD que podem ser de apenas um autor ou de um grupo de diretores (como é o caso do DVD Avoid Eye Contact feito apenas por diretores de Nova York).

    Os especiais são compilações que reunem filmes de um único tema. Um dos especiais que estavam a venda era uma compilação de filmes Ambientais que ele fez. A vantagem dos especiais é que eles apelam para a necessidades dos compradores. Por exemplo: Se você é um ativista do green peace provavelmente vai comprar o DVD ambiental, se você é um animador vai preferir o Collection of 2005 Academy Award Nominated Short Films.

    A NFB também faz muito isso, o problema é que se você acaba comprando o mesmo filme duas ou três vezes para poder ter todos os filmes que você quer comprando os especiais e as compilações. É tipo um macete para empurrar alguns filmes que nunca vendem também...vale a pena se você for comprar só uma compilação, mas dai ela tem que ser muito boa.... bom, acho que vocês entenderam o truque :)

  5. Internet: O próximo passo é a internet. Itunes foi basicamente o mercado que ele citou. Faz sentido. Depois que você explorou todas de todas as formas rentáveis você vai para web mas apostando em uma ferramenta que já funciona bem... Tipo, algumas pessoas (talvez não no Brasil ainda mas certamente em outros paises como EUA e Canadá) pagam um preço (pequeno mas considerável em termos de web) para dar download dos filmes e colocar em seus Ipods. Existem outros canais como sites que pagam por visualização de conteúdo etc... Um problema sério que ele aponta é o You Tube, claro, já que os filmes estão sendo exibidos sem retorno.

    Ele também citou a web como uma boa forma de promoção e merchandizing para produtos como DVDs, posters, livros, arte original (tipo frame dos filmes) etc.

  6. Comissão: O último retorno financeiro citado são os trabalhos comissionados que virão através da publicidade que o filme vai fazer por você: Comerciais de TV, Workshops e palestras etc... Abaixo dá pra ver como os filmes podem trazer esse tipo de retorno.



No dia seguinte exibiram alguns filmes no mesmo local: Os primeiros e os melhores trabalhos da carreira. Também foi exibido um filme que ele fez tirando sarro de animação abstrata. Depois desse veio um filme abstrato tirando sarro das animações dele feito por um outro diretor. Foi bem engraçado porque o filme era uma brincadeira com os filmes de Norman Maclaren mas no centro de tudo sempre viamos um frame do filme "My Face" e diversos sifrões ($) voando pela tela. Acho que Bill não gostou desse filme quando ele foi lançado mas agora parece que ele faz como todo o resto: Leva na Brincadeira.

Nesse segundo dia a Martine Chartrand também foi ao evento e descobrimos que ela é uma amiga antiga do Bill. Acabou que ela nos chamou pra Jantar com ele! Fizemos vários desenhos no papel da mesa do restaurante que demos de presente uns para os outros. Reclamou-se bastante do You Tube e todos encheram a cara de vinho....Foi um dos melhores vinhos que já bebi... e melhor ainda porque foi pago pelo curador de animação da Cinemateca de Quebec que estava com a gente :)

(da esquerda para direita) Diego Stoliar, O curador da Cinemateca, Bill plympton, Martine Chartrand, o marido dela e Jonas Brandão.

domingo, 13 de maio de 2007

Mais do curso da NFB nos anos 80

Segue o texto enviado por Marcos Magalhães que fala sobre a criação do Curso da NFB nos anos 80. Tomei a liberdade de linkar os assuntos com informações relevantes e curiosidades. Divirtam-se:

O curso de animação do Núcleo de Animação da Embrafilme foi a primeira atividade do CTAv, construído graças ao primeiro acordo com o NFB nos anos 80. Em 1984, eu fui chamado por Carlos Augusto Calil, diretor de operações não-comerciais da Embrafilme e responsável pela aproximação com o Canadá, para organizar o projeto de animação do Centro, junto com o NFB.

Aqui conto uma historia curiosa:

Alguns anos antes, em 1981, eu morria de vontade de ir ao Canadá conhecer meu grande ídolo (e de quase todos os animadores da época e de hoje) Norman McLaren. Havia a chance de conseguir bolsas, pelo consulado e pela própria Embrafilme.

Neste ano veio ao Brasil um animador canadense (Jean-Thomas Bedard) para falar sobre o NFB na Cinemateca do MAM. Foi como um "papo animado" (do Anima Mundi) em que ele mostrou seus filmes ("Age de Chaise" era o mais famoso, por ter sido recentemente premiado em festivais) e falou do trabalho no NFB. No final, formou-se aquela clássica fila do gargarejo, com todos querendo falar e perguntar coisas ao convidado.

Eu era muito tímido e não quis insistir. Preferi sair e ir deixar minha namorada em casa. Ao descer no ônibus no Leme ficamos andando na calçada e eu lamentando a timidez e a oportunidade perdida... de repente, olho para uma pessoa vindo na direção contrária e era... o canadense que acabáramos de ver no MAM! Tremenda coincidência. Ali, foi muito fácil me apresentar e logo fomos tomar chope na Fiorentina e iniciar uma amizade.

Com as dicas do Jean-Thomas, me animei a tentar a ida ao Canadá e acabei conseguindo a bolsa que me fez viver um estágio pouco usual na época no NFB, pioneiro ao próprio Hot-House ( três meses, ampliados depois para cinco, de outubro de 1981 a março de 1982). Foi quando fiz o meu filme ANIMANDO e encontrei o mestre Norman McLaren, que me ajudou muito no filme.

Jean-Thomas confirmou sua amizade, inclusive nos ajudando (a mim e a minha namorada, que já se tornara minha esposa) a encontrar apartamento em Montreal e nos adaptar a esta vida estranha e gelada daí...

Pois bem, quando fui chamado para o trabalho do Núcleo me pediram indicações ou aprovação de nomes de animadores canadenses que estariam querendo vir ao Brasil para um trabalho mais longo, como professores de animação. Entre eles, estava o Jean-Thomas e o Pierre Veilleux, que foram escolhidos em comum acordo.

A próxima etapa era procurar os animadores brasileiros aptos a seguir o curso. Tarefa árdua, pois havia muito poucos no mercado. O medo era de indicações políticas e pistolões que arruinariam o bom projeto do curso. Para evitar isso, propus ao Calil uma excursão pelo Brasil para catar os animadores em suas cidades. Isso aconteceu, em cerca de 15 capitais, onde eu anunciava no principal cinema cultural da cidade o futuro Núcleo, exibia filmes canadenses e brasileiros e convidava animadores presentes a se inscreverem.

Hoje em dia me orgulho bastante desta seleção finalizada em conjunto com os canadenses. Todos os 10 tiveram bastante influência (ou continuam tendo) na formação e multiplicação da arte da animação no Brasil. Isso era o principal objetivo do projeto.

Aqui vale ressaltar um texto relevante sobre a criação do Anima Mundi e o papel que o Núcleo de Animação da NFB teve nessa história. Voltando ao texto do Marcos:

Desta forma, reunimos o Núcleo inicial de 10 alunos de todo o Brasil, a maioria na faixa de 20 e poucos anos:

  • Aida Queiroz - Mineira de Belo Horizonte, aluna da UFMG. Hoje co-diretora do Anima Mundi e da Campo4 Desenhos Animados.
  • Cesar Coelho - Cartunista carioca, formado em Belas Artes na UFRJ. Hoje co-diretor do Anima Mundi e da Campo4 Desenhos Animados.
  • Fábio Lignini - Animador de uma pequena empresa em Belo Horizonte, a "Pirilampo". Fez o curta mais premiado do CTAv, "Quando os Morcegos se Calam", entre outros vencedor do Festival de Hiroshima na categoria "Primeiro Filme". Hoje animador senior da Dreamworks em Los Angeles.
  • Rodrigo Guimarães - Arquiteto e animador gaúcho, hoje diretor da empresa Dr. Smith.
  • Léa Zagury - Designer formada na PUC, carioca. Fez mestrado na Cal Arts, em Los Angeles. Hoje co-diretora do Anima Mundi.
  • Patricia Alves Dias - assistente de cinema, pernambucana de Olinda, hoje produtora da MULTIRIO.
  • Telmo Carvalho - desenhista gaúcho, então radicado em Vitória, ES. Telmo hoje faz oficinas de animação por todo o Brasil e realizou vários curtas premiados.
  • Cao Hamburger - então animador de filmes super-8 em São Paulo, não pôde concluir o curso pois no meio do mesmo ganhou a verba para fazer o primeiro curta (Frankenstein Punk) de sua hoje gloriosa carreira de cineasta e diretor de TV.
  • José Rodrigues Neto - arquiteto cearense, o mais velho da turma (já estava perto dos 40), foi depois responsável pelo Núcleo de Animação de Fortaleza. Fez o curta esotérico "Evoluz", muito interessante.
  • Daniel Schorr - formado em comunicação na PUC, carioca. Meu ex-sócio na Oficina de Cinema de Animação (em Vila Isabel, no Rio) e na revista universitária de cartuns "Art&Manha". Participou do primeiro grupo que fundou o Anima Mundi. Hoje é um dos diretores brasileiros trabalhando no National Film Board do Canadá.
Depois da primeira fase apenas cinco destes alunos (Aida, Cesar, Patricia, Fábio e Rodrigo) ficaram para a segunda fase quando produzimos o filme coletivo "ALEX", em 1986. Os que sairam continuaram suas carreiras ou iniciaram a regionalização do projeto, levando trucas 16mm para Núcleos Regionais em seus estados.

Marcos Magalhães.

sábado, 12 de maio de 2007

Curso da NFB nos anos 80


Foto1 - Jean-Thomas Bedard.


Foto2 - Aida Queiroz.


Foto3 - Jose Rodrigues Neto.


Foto4 - Daniel apresentando as suas primeiras idéias de projeto final do curso para os professores e turma.
Na primeira mesa: Rodrigo Guimarães.
Na segunda, de costas: Aída Queiroz e Cesar Coelho. Lea Zagury escrevendo.
Na esquerda: os três professores - Jean-Thomas Bedard, Marcos Magalhaes (escondido atrás do Jean) e Pierre Veilleux.
Na terceira mesa: Fábio Lignini, Patricia Alves Dias, Cao Hamburger e Telmo Carvalho.


Foto5 - César Coelho.


Foto6 - Rodrigo Guimarães.


Foto7 - Marcos Magalhães e Patricia Alves Dias.
Detalhe do livro: "O que é BUROCRACIA" - Marcos procura entender a Embrafilmes e a National Film Board.


Foto8 - As obras no recém ocupado CTAv para construção dos estúdios de som. O prédio antigamente pertencia à Merenda Escolar, lá eram feitas as refeições para as escolas publicas do Rio de Janeiro. Ao ser transformado em centro de produção de filmes tudo foi reformulado (com projeto brasileiro e equipamentos canadenses). O Núcleo de Animação foi o primeiro a funcionar
e os primeiros filmes foram feitos em meio a poeira e barulho de obras. Quem já trabalhou com acetato, pode imaginar como é difícil lidar com poeira.


Foto9 - Um dos técnicos de cinema formados em estagio no NFB na época ajudando Pierre Veilleux a descarregar uma das 4 trucas 16mm portateis trazidas para o projeto e
depois distribuídas a varias cidades no Brasil.


Foto10 - Em algum restaurante de Vila Isabel ou São Cristovão (lugares mais habitáveis perto do CTAv).

Da esq p/ dir: Rodirgo Guimarães, José Rodrigues Neto, o garçon, Patricia Alves Dias (de costas), Sida, Jean-Thomas Bedard e Pierre Veilleux.


Foto11 - No refeitório do CTAv.

Da esq. p/ dir: Rodrigo Guimarães (RS) , José Rodrigues Neto (CE), César Coelho (RJ), Daniel Schorr (RJ), Telmo Carvalho (ES - escondido), Fabio Lignini (MG), Patricia Alves Dias (PE),
Lea Zagury (RJ).


Foto12 - Pierre e Aida Queiroz (MG).


Foto13 - Daniel Schorr (primeiro plano), Pierre e Aida Queiroz (fundo).


Foto14 - Fábio Lignini e Rodrigo Guimarães.


Foto15 - César Coelho e Rodrigo Guimarães.


Foto16 - Léa Zagury e Daniel Schorr.


Foto17 - Ainda sem descrição.


Foto18 - César Coelho, Fábio Lignini, Rodrigo Guimarães, Patricia Alves
Dias (de costas), Daniel Schorr e Telmo Carvalho (de costas).


Foto19 - Telmo Carvalho, José Rodrigues Neto e Fábio Lignini.


Foto20 - Fábio Lignini.


Foto21 - Daniel Schorr experimentando muletas para o exercício de animação
caminhadas, orientado por Jean-Thomas Bédard. Ao fundo: Lucia Mello,
assistente de produção do Núcleo, e Telmo Carvalho.


Foto22 - Léa Zagury, Pierre Veilleux e César Coelho.


Foto23 - A primeira turma do Núcleo (1985) trabalhando com animação sobre a
película.

Na mesa da frente: Patricia Alves Dias (de costas).
Do outro lado: Rodrigo Guimarães e Aida Queiroz.
Na segunda mesa: César Coelho (de costas), Cao Hamburger e Lea Zagury.
Ao fundo:José Rodrigues Neto.


Foto24 - Rodrigo Guimarães na truca 16mm.


Foto25 - Léa Zagury na truca.


Foto26 - Daniel Schorr na truca.


Foto27 - Fábio Lignini.


Foto28 - Jean-Thomas Bedard e Telmo Carvalho filmando o filme do Telmo ("O
Musico e o Cavalo") na truca 16mm.


Foto29 - Pierre (camisa listrada ao fundo), Daniel (camisa azul) e técnicos de som do NFB.


Foto30 - Fábio Lignini, de Belo Horizonte, hoje um dos animadores senior dos estúdios Dreamworks.


Foto31 - Rodrigo Guimarães, de Porto Alegre, hoje em dia à frente do estúdio Dr. Smith.


Foto32 - Pierre e Tim Rescala que foi o autor da brilhante trilha sonora (quase sinfônica) do desenho animado "ALEX" produzido coletivamente no segundo ano do Núcleo de Animação do CTAv. Este filme merece uma restauração..


Foto33 - Pierre Veilleux.

Agradecimentos:
Obrigado a Pierre Veilleux e ao Daniel Schorr por terem tido o trabalho de separar e scannear as imagens. Sem esse esforço inicial o álbum não seria possível.

Obrigado ao Marcos Magalhães por ter feitos um comentário extensivo para todas as imagens.

Obrigado a todos que comentaram e ajudaram a tornar o álbum o mais preciso possível.

sábado, 5 de maio de 2007

Music Mix

No vídeo abaixo dá para ter uma boa noção de como ficou o mix da música para o meu filme.
Claro que essa versão ai foi no começo da sessão. Bastante coisa mudou mas foram mais detalhes e correções. O grosso é isso ai mesmo.



O próximo passo é a edição de som onde vamos pegar o Foley (efeitos sonoros) e editar junto com essa música mixada para ter as tracks finais de audio.

Com essas tracks é que vamos para o Mix Final que é o último passo de som onde sentamos num cinema de verdade com o nosso filme na tela grande e escolhemos em que caixa cada som vai...quando chegarmos nesse passo falo mais sobre isso.

Voltando ao Mix o que fizemos basicamente foi escolher entre as tracks gravadas quais são as melhores para usar e aonde. Assim fomos montando layer a layer toda a música. Para isso a gravação foi feita em vários passos (ex: um para a base de acompanhamento, um para melodia, um para os efeitos, um para o ritmo etc)

Como todos os sons do meu filme vieram de um mesmo instrumento (por causa do conceito ONE, minimalista etc) só precisamos que 1 músico tocasse a cada passo.

Apesar de toda performance ter sido cuidadosamente escrita em partitura tivemos que corrigir várias coisinhas. Parece besteira mas cada toque que o músico dá no instrumento na gravação cria uma sujeira e todas as sujeiras juntas fazem a música ficar estranha.

Outros tipos de correção tinham a ver com o ritmo porque nem tudo que vemos no filme é tão fácil de transcrever para partitura, ou de ser tocado tão precisamente (ainda mais com o prazo que o Luigi teve para compor as músicas para os 8 filmes ou com a gravação acabando à 1 da matina). Tivemos que esticar algumas partes ou atrasar outras para que os impactos musicais acompanhassem o timing definido na animação.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Music Recording Session

Acabo de sair da sessão de gravação para música do meu filme e foi fantástico.

Primeiro demos uma passada geral na estrutura gravando tudo o que o Luigi havia escrito para a trilha, da forma mais "acadêmica" e precisa possível. Depois gravamos sons de Foley com o violoncelo (sons para os cometas, vulcões, zooms dos planetas etc). Fizemos uma pequena biblioteca de improvisos e fomos para parte mais legal onde piramos o cabeção.

Nessa última parte pedimos para Sheila (a musicista que estava no Chelo) para tocar a mesma melodia que já havíamos gravado mas batendo com a madeira ao invés de faze-lo com a fita da baqueta (a baqueta do Chelo tem uma madeira que segura uma fita como vocês podem ver no vídeo abaixo onde Sheila se aquece para gravação).



Nesse vídeo podemos ver ela passando tudo o que o Luigi escreveu previamente, incluindo alguns sons de Foley para o chelo.

Ela acabou usando a técnica de bater com a madeira para toda a melodia do filme, assim temos bastante para escolher na mixagem.

No fim da sessão, logo antes de entrar na parte do improviso e experimentação eu estava começando a ficar meio nervoso. Tínhamos apenas alguns minutos de estúdio e ainda não sentia confiança no material que possuíamos. Acabamos cortando a gravação das batidas no bojo do chelo que serão usadas para o rítimo. Elas serão capturadas posteriormente pelo Luigi. Ainda bem porque pra mim ter essa parte improvisada vai ser essencial, bem melhor do que a parte em que tentamos capturar perfeitamente o que estava escrito.



Nosso problema agora é que temos muito material gravado e apenas 1 hora de mixagem. Apesar de que boa parte é Foley de violoncelo e pode ser jogada para edição. Na mixagem fazemos apenas o que entra como música. Na edição é onde colocamos os efeitos sonoros. Sendo assim, se dividirmos bem o que é efeito e o que é mixagem ganhamos mais 1 hora de edição pra resolver os problemas do Foley e nos concentramos apenas nas partes melódicas na mixagem.

Luigi ainda não ouviu o Foley normal (digo, sem ser o Foley feito com o violoncelo) que fizemos na noite passada. Ele vai tentar ver antes da mixagem porque isso pode mudar a forma com que montamos a música, afinal, se pretendermos trazer algum som do Foley para o primeiro plano talvez seja uma boa idéia dar mais espaço para isso na hora de mixar a música (quer dizer, espaços vazios na música para entrada dos efeitos).



A minha mixagem deve acontecer depois de amanhã. Logo em seguida vem a edição e dai terei a música final para o meu filme. Tomara que depois disso eu ainda tenha mais umas 2 ou 3 semanas para animar em cima da música. Seria muito legal poder sincronizar algumas animações com a música já que no Flash isso não é tão complicado de fazer.



Hoje eu também fiquei para ver a gravação para os filmes do James, da Maya e da Jody. Todos foram demais. O do James está hilário com uma festa de DNAs no final com uma música tipo Doo Wah Diddy. E a da Jody é claro é no estilo Blue Grass só que bem rápido.

Ps: Desculpem se o que eu escrevi não faz muito sentido.... é que já é 1 am. Eu vou dormir e amanhã de manhã corrijo qualquer idiotice que eu tenha escrito!

terça-feira, 1 de maio de 2007

Foley Session

Hoje fizemos a sessão de Foley. Eu fiquei na sala das 18:00 à 1:00 da manhã e acompanhei a direção de todos os filmes.

O filme da Jody até agora parece o mais legal em termos de som, o foley foi perfeito e muito criativo. A história dela ajuda muito porque tem dois monstros fêmeas, uma que tem 3 pernas e uma que precisa usar botas de borracha porque baba muito. As duas tocam Blue Grass juntas no final. Todos os sons feitos para esse filme foram perfeitos e acho que minha voz vai ficar no mix final como uma das personagens: Messy Moly.

Acho que talvez o James mantenha minha voz no filme dele também como um dos caras que se encontram no começo. Também fiz as pulgas e as mitocôndrias mas acho que essas não vão ficar.

Esses dois filmes tem muitas coisas nojentas rolando no Foley. Muito macarrão e gel de cabelo foram usados para atingir o nível certo de nojeira.

Nos filmes do Jonas e do James eu pedi para ficar dentro do estúdio como assistente da Karla (a artista de Foley). Não pude ajudar muito mas deu pra ver de perto como ela faz as coisas. É impressionante como ela é profissional. Antes de vir para o estúdio ela recebe os vídeos e estuda cada um. Faz uma lista de Foley do tipo:

-Whossh dos cometas
-Bumpt dos balões
-Smugh da baba
-Spluft das mitocôndrias

Uma lista bem completa para cada filme.

Depois ela faz uma pesquisa em casa e vai recolhendo o material que ela vai precisar no estúdio. Muitas vezes o som vem de algo parecido com o que vemos na tela: Como os utensílios nos balões do filme do Jonas (feitos com utensílios de cozinha dentro de um saco de lixo inflado). Outras não dá pra ter a menor idéia de como ela chegou na conclusão do que usar para produzir determinado som: Como para as pulgas do James que apertam a mão uma da outra (feitas com cascas de ovos).

Na hora de gravar ela e o técnico de som tem diversos códigos e nomenclaturas. Quando ele pede para que ela grave um "wild" por exemplo quer dizer que eles vão gravar fora de sync, várias versões do mesmo som (para ter uma pequena biblioteca de sons originais).

A Karla trabalha com Foley desde 1992. Ela começou como mímica e com isso desenvolveu um bom senso de timing para sincronizar o som com a imagem. Também acho que esse background meio circense ajuda bastante na variedade de coisas que ela pode produzir. No último Hot House por exemplo ela até cuspiu fogo.

A minha sessão de Foley foi bem rápida porque já estávamos meio sem tempo. Não sei nem o que vou manter de Foley e SE vou manter algum som fora o da música. Tudo depende de como correr a gravação com o Violoncelo amanhã. Depois de amanhã começamos a mixagem que é quando tomamos todas as decisões do que vai entrar ou não.

Segue abaixo um pedaço da sessão de Foley para o meu filme:



Saimos da NFB logo após a gravação do Foley do filme do Dale que foram apenas algumas riscadas com lápis no papel e tivemos que pegar um taxi para casa pois o ônibus e o metro já haviam parado.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Workshop de Som

Luigi nos levou até o estúdio de som número 2 aonde vamos fazer todos os sons para nossos filmes.

A primeira sala que visitamos é a principal, onde são gravados a maioria dos passos e coisas que são mais genéricas ou que precisam de espaço para performance.

Essa sala principal tem uma divisão que cria uma pequena sala ao lado onde são feitos os sons mais específicos. Coisas que precisam de mais detalhes e textura. Eles colocaram peças no teto para reduzir o eco e o som do ambiente, então a sala anexa tem um som completamente diferente da sala principal, ouvimos um som bem mais fechado, seco e limpo.

A outra sala (que é mais como um armário grande) tem um monte de tranqueiras sonoras. De porta de carros a corrente de navio.

Atrás do vidro na sala principal temos o estúdio de som onde fica a mesa etc. Nenhum som vaza dessa sala para o estúdio, então falamos o tempo todo através de microfones com quem está dentro gravando.

Logo que chegamos tivemos uma boa introdução sobre Foley para animação e sobre as diferenças entre animação, documentário e ficção para os artistas de som.

Em documentário o som é gravado na hora, então basicamente eles só corrigem algumas coisas que estejam lá e que não tenham sido capturadas. Na ficção eles quase que refazem todo o som e com os sons limpos e separados o diretor pode controlar em que caixa cada som vai (para sistemas 5.1 de som etc).

Em animação funciona como ficção, só que ao invés do som precisar ser realista ele na verdade precisa se encaixar com a imagem, mesmo que não venha de uma fonte real.

Eles nos aconselharam sobre como o filme de animação se torna algo palpável logo que aplicamos o som. Como o Foley perfeito é aquele que você não percebe no filme. E como fazer sons mais complexos se configuram em um tipo de macete para tornar a coisa toda mais interessante para o público ao invés de só usarmos a "andando_de_sapato_364.wav" da biblioteca de som.

Também nos deram algumas dicas sobre como dirigir os artistas/técnicos de som. De como não vale a pena ficarmos aprendendo os termos técnicos como: "Me dê mais 3 decibéis!" etc. Que é muito melhor falarmos o que queremos em termos de história e emoção. Que devemos ficar atentos sobre como contar a história através do som. Assim podemos pedir que uma caminhada fique mais triste, mais arrastada etc.

Outra dica de direção é que existem diretores que param a gravação a todo momento para dar dicas e mudar coisas e outros que deixam a sessão acabar e fazem uma lista de modificações para próxima sessão. É importante manter em mente o tempo que você tem para usar o estúdio porque de outra forma você não vai conseguir gravar tudo que você precisa e vai acabar usando um monte de sons de bibliotecas (o que não é necessariamente ruim mas nem sempre é o ideal).

Sobre os sons de biblioteca: Muitos sons não são gravados mais hoje em dia porque já existem milhões de sons daquele tipo nas bibliotecas, como portas abrindo por exemplo.

Depois passamos para a parte divertida, fizemos sons para os filmes da Jody, James e Jonas (os trio JJJ). Luigi, James e eu fomos os preferidos da galera, dei vários arrotos para o filme da Jody mas o James conseguiu umas notas bem mais extensas do Juri na mesa de som. No fim ele foi contratado como porco oficial no meu lugar.

Fizemos também uma sessão coletiva onde todos conversavam randomicamente para o filme do James que tem uma festa no final. Fizemos em 3 níveis (conversando baixo, médio e gritando) e 2 vezes para cada nível.

Também fiz algumas vozes em português para as conversações no filme do james. Eles acham que tudo que agente fala em português é legal...Provavelmente porque eles não entendem. Sei bem o que é isso, quando a Maya fala em Turco também acho muito legal.

No fim bati mais um papo com Luigi sobre minha música, basicamente pedindo para ele ir mais longe com o experimental, pirar o cabeção mesmo.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Tv cultura, Workshop de Som e Pique Bandeira.

Hoje temos permissão de chegar um pouco mais tarde na NFB porque teremos um dia bem cheio.

As 13:00 a TV Cultura vai aparecer para fazer uma entrevista comigo e com o Jonas, fiquem ligados que breve deve estar pintando na programação deles.

Depois, as 18:00 temos Workshop de som: Sonoplastia, música etc. Que vai se estender até as 21:00. O que não é normal já que o expediente aqui termina as 17:00.

Eu estou bem empolgado com esse Workshop, vai ser bem instrutivo e divertido. Pelo que entendi eles vão nos ensinar a fazer, não é só teoria.

A noite vai rolar um pique bandeira no parque perto da nossa casa. Não sei se vai dar tempo de comparecermos mas vamos tentar. Temos que ir de roupa escura e que possa sujar :)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Conhecemos a Sandee

Sandee: Stereo Animation Drawing Device.

É uma forma de desenhar e mostrar animações em 3 dimensões. Eles usam dois projetores, cada um com um filtro stereoscópico na frente da lente. O filtro stereoscópico funciona permitindo que a onda de luz só passe em uma direção, bloqueando todas as outras direções de ondas que saem das lentes dos projetores. Cada projetor então passa a mostrar apenas uma direção de onda. Um projetor mostra a imagem que deve ser vista pelo olho esquerdo e a outra mostra a que deve ser vista pelo olho direito, cada uma com uma direção de onda de luz específica.

Dai nós usamos óculos stereoscópicos que também bloqueiam a passagem das ondas. Assim o olho direto só vê a onda que o projetor 'direito' está mostrando e o mesmo acontece para o esquerdo.

Não é tão fácil montar uma sala de projeção (para pessoas normais). É necessário uma tela de prata, projetores de alta qualidade e o software que toca os dois vídeos ao mesmo tempo (além das películas stereoscópicas e dos óculos), mas também não é tão caro assim (para empresas é uma pechincha). É mais barato que alguns sistemas de home teather aqui do Canadá. E cada óculos custa apenas 1 dollar canadense. Bem mais baratos do que a outra tecnologia usada para imagens 3d que tem óculos eletrônicos.

É possível preparar animações feitas em qualquer software 3D para a Sandee (renderizando tudo com duas câmeras). Assim como também é possível gravar vídeos live action ou stopmotion com duas câmeras. Os únicos que ficam de fora são os animadores 2D, esses tem mesmo que desenhar no equipamento da Sandee.

O software no qual se desenha o 2D no espaço renderiza a animação tridimensionalmente em tempo real. Ele também tem interpolação automática e captura de movimentos. Desenhamos com pistolas virtuais, que parecem aqueles controles comuns de autorama. Cada pistola tem um reconhecimento espacial (como um controle de Wii) e um gatilho para gravar a pressão do traço.

Eu dei várias espiadas com e sem os óculos 3D para tentar compreender como o efeito funciona na prática e o que me pareceu é que, quanto mais próximas as imagens dos projetores aparecerem na tela, mais nítida a imagem 3D fica para nós e assim eles representam o que está em primeiro plano ou no foco da visão. Uma animação que tenha que estar distante então, acontecendo no último plano, além de aparecer menor na tela e por trás de tudo, vai também ter imagens mais separadas sendo mostradas pelos dois projetores. Ai é que está a dificuldade do efeito tridimensional e a impossibilidade de converter um filme originalmente feito em 2D para exibição stereoscópica.... Muito técnico né!? Mas não é tão difícil de entender com imagens.

Abaixo você pode ver alguns links para filmes feitos no sistema da Sandee ou transcritos para o sistema:
Falling in love
Moon Man
June

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Teste na ilha Online

Aqui na NFB temos duas ilhas para edição dos curtas, além é claro da edição inicial que fazemos ao criarmos o filme. Uma é a ilha Offline onde vamos usar o Final Cut Pro ao lado de um editor profissional e vamos ajustar a decupagem do filme. Dar um ajuste mais finos, tirar ou atrasar tempo etc.

Depois, mais para o final temos a ilha Online. A ilha Online é que é o bicho. Lá cada segundo vale ouro pois o equipamento é carríssimo. Temos que agendar a visita com bastante antecedência porque não existem muitas ilhas Online e todos os filmes (live action ou animação) tem que passar por lá.

Na ilha Online o editor vai corrigir todos os possíveis erros e detalhes para todas as múltiplas versões do filme, desde da versão para o cinema, até a do DVD e da internet. Aplicar compressores, formatos, correção de cores etc.

Para não chegarmos na ilha Online com uma mão na frente e outra atrás, cheios de problemas para resolver vamos ter uma sessão na segunda para verificar se está tudo ok. Se o caminho que estamos tomando até agora é o certo e como ficará nosso filme no final se seguirmos por ele.

Nessa sessão certamente vamos dar maior atenção para o problema das cores. No cinema temos uma gama de cores maior do que no computador, no computador maior que na TV e assim por diante. Sendo assim temos que saber como as cores que estamos produzindo no computador vão se comportar na tela da TV, no cinema, no DVD etc. Adicionalmente já dá para testar também como o timing da animação vai se comportar na web e no DVD. Como as compressões vão afetar a qualidade da imagem etc.

Hoje fomos a NFB para terminarmos de preparar o arquivo para apresentar amanhã. Segue o meu teste. Os números estão bagunçados mesmo e no fim tem um still com a arte original da proposta. Dei uma caprichada nos vermelhos e na saturação geral para discutir logo na ilha até onde eu vou poder ir.



Ainda não é nada final mas acho que já está tomando forma.